Brasil vai construir cabo de internet entre Fortaleza e Portugal para evitar espionagem americana

02/11/2014 15:48

O Brasil está construindo um cabo que cruzará o Atlântico para escapar da espionagem da Agência de Segurança Nacional americana (NSA, na sigla em inglês). A medida é um dos muitos caminhos pelos quais o governo brasileiro está cortando laços com as empresas de tecnologia americanas.

De acordo com o site International Business Times, o cabo de fibra ótica terá cerca de 5.600 quilômetros de extensão e irá de Fortaleza até Portugal. O custo estimado é de cerca de R$ 450 milhões, segundo noticiou o Bloomberg.

O cabo será implementado pela Telebrás. Ainda que a empresa brasileira tenha contrato com fornecedores americanos, o projeto será executado sem a participação de nenhuma companhia originária dos Estados Unidos.

 

O cabo vai substituir as atuais ligações de internet entre Brasil e Europa, que hoje precisam passar pelos Estados Unidos.

Dilma declarou que os cabos submarinos internacionais são alvos muito visados pela espionagem. Após os cabos para a Europa, o governo brasileiro vai estudar construir ligações diretas também para África e Ásia.

Até o momento, a Telebrás declarou que o projeto só aceitará parceiros nacionais, europeus ou asiáticos. A construção está prevista para começar no primeiro semestre de 2015, e deve ser finalizada 18 meses depois.

No ano passado, Edward Snowden divulgou documentos que mostravam que a NSA estaria acessando informações pessoais de cidadãos brasileiros e até mesmo ouvindo ligações telefônicas da presidente Dilma Rousseff.

“Assim como outros líderes latino-americanos, eu luto contra o autoritarismo e a censura, e eu só posso defender o direito à privacidade dos brasileiros e a soberania do meu país”, Dilma disse na ONU no ano passado.

Para evitar espionagem americana, o País está também buscando outras alternativas. O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) já desenvolveu um sistema de e-mail nacional chamado Expresso, que está sendo usado atualmente em 13 dos 39 ministérios. Esta ferramenta é uma alternativa ao Outlook, comercializado pela Microsoft.  

Jack Evans, porta-voz da empresa americana, disse que a companhia continua a ouvir de seus clientes perguntas sobre onde o conteúdo é guardado, como é usado e qual é a segurança.

Em novembro do ano passado, Dilma também assinou um decreto que faz com que ministérios e agências do governo só utilizem serviços de tecnologia providos por empresas públicas ou semi-estatais.

A transição para “a preservação da segurança nacional” deve ser monitorada pelos ministérios da Defesa, Comunicações e Planejamento, disse o decreto.

 

Fonte: R7.com, 02/11/2014